A espera do click perfeito dos botos no Lago Mamirauá. Foto: Mariana Paschoalini Frias
A espera do click perfeito dos botos no Lago Mamirauá. Foto: Mariana Paschoalini Frias

As comunidades tradicionais e ribeirinhas que habitam a Amazônia coexistem com espécies animais emblemáticos, as quais atraem a curiosidade de pessoas ao redor de todo o mundo. O boto-vermelho como é conhecido o golfinho de rio Inia geoffrensis no Brasil é um representante ícone e atração de várias atividades turísticas oferecidas no país.

Com uma relação histórica de conflito, botos e ribeirinhos disputam por um recurso alimentar, o peixe, e os golfinhos muitas vezes são vistos como criaturas oportunistas e importunas que danificam o material de trabalho dos pescadores.

No entanto, bons exemplos de coexistência entre botos e seres humanos podem ser encontrados. No médio Solimões, na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, os botos representam uma importante fonte de renda para ribeirinhos habitantes da reserva. Por meio do Turismo de Base Comunitária, os ribeirinhos aprendem como guiar os turistas em atividades de observação dos botos, onde se pode observar o comportamento da espécie em ambiente natural, a interação entre os animais e o ambiente, a interação com outras espécies, os comportamentos curiosos durante as aproximações do barco.

Pousada Uacari, saída de turistas para observação de botos. Foto: Eduardo Coelho
Pousada Uacari, saída de turistas para observação de botos. Foto: Eduardo Coelho

O Turismo de Base Comunitária realizado com as comunidades da Reserva Mamirauá é um exemplo claro de conservação e educação ambiental, acerca da importância e papel ecológico do boto na paisagem Amazônica. Envolver a comunidade nos processos de conservação é tornar o ser humano consciente de sua integração com o meio e da importância de nossas ações para a manutenção de um ambiente saudável.

Desde 1998 as comunidades ribeirinhas da Reserva Mamirauá são um exemplo de “Comunidades em prol da conservação do Boto”. Em pesquisa realizada em esforço conjunto entre Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora e Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, 68 ribeirinhos foram entrevistados no ano de 2011 na região de atuação do turismo de base comunitária. O resultado do trabalho demonstrou que 100% dos participantes da pesquisa entendem a necessidade da conservação do boto e assumem sua parte na responsabilidade de contribuir para isso.

Comunidade Ribeirinha de Caburini, participante do Programa de Turismo de Base Comunitária. Foto: Eduardo Coelho
Comunidade Ribeirinha de Caburini, participante do Programa de Turismo de Base Comunitária. Foto: Eduardo Coelho

Untitled-1Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Laboratório de Ecologia Comportamental e Bioacústica

Mariana Paschoalini Frias